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quinta-feira, 7 de julho de 2011

O jejum é a oração do corpo

A prática do jejum como disciplina espiritual é defendida pelos mais diferentes segmentos religiosos. Até nas religiões pagãs antigas era praticado como forma de preparo para o encontro com uma divindade. Acreditava-se que essa experiência proporcionava uma abertura para a influência divina. 1

Além dos cristãos, outros grupos con­tinuam com essa prática em nossos dias. Dentre esses segmentos, podemos destacar os seguidores de Maomé, que promovem o jejum no mês de Ramadã, quando comemoram a entrega do Al­corão por Alá.

No cristianismo, o jejum é praticado de diferentes maneiras e por motivos di­versos. Em meio a essa diversidade, pre­cisamos entender o que é e o que não é jejum, a relevância desse rito no minis­tério de Cristo, qual é seu sentido am­plo e a importância dessa disciplina em nosso preparo diário para o encontro com Cristo.

O que o jejum não é - Para que não nos sintamos confusos na exposi­ção desse ensino bíblico, vamos mos­trar em que não consiste o jejum na vi­são bíblica.

1. Não é penitência (expiação de pe­cado, sacrifício para se livrar de culpa, aflição, tormento ou ato para demons­trar que alguém é mais santo do que o outro). A Bíblia deixa claro que o per­dão e a purificação vêm pelo arrependi­mento, confissão e abandono do pecado, e só existe um Ser que pode fazer isso por nós. A Palavra diz: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (l jo 1:9).

2. Não é ritual público de tristeza para mostrar superioridade. Nos dias de Cristo, era comum os fariseus jejua­rem para mostrar uma fachada de "san­tidade". O que mostravam no exterior não correspondia ao que estava no in­terior, pois o coração deles estava longe de Deus. O Salvador foi ao ponto em Seus ensinos para que não caiamos no mesmo erro. Ele afirmou: "Quando je­juardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos ho­mens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa" (Mt 6:16).

3. Não é greve de fome. O jejum não deve ser usado para chamar a atenção de Deus e das pessoas para nossos ob­jetivos e metas. O contexto de Isaías 58 mostra claramente isso. No verso 3, o profeta descreve o clamor dos "grevis­tas": "Por que jejuamos nós, e Tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e Tu não o levas em conta?" Por que o que eles faziam não era aceito? No fim do verso vem a resposta: "Eis que, no dia em que jejuais, cuidais de vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho."

É importante compreender essas coi­sas porque o que já se viu no passado se repete em nossos dias. O Espírito de Profecia diz: "É verdade que há pessoas com mente desequilibrada, que se con­sideram muito religiosas e que impõem a si mesmas jejum e oração com prejuízo de sua saúde. Essas pessoas se deixam enganar. Deus não requereu isso delas. [...] Confiam em suas boas obras para a salvação e estão procurando comprar o Céu por obras meritórias próprias em vez de, como deve todo pecador, depen­der somente dos méritos de um Salva­dor crucificado e ressurreto."2

Em que consiste o jejum - O senti­do teológico do jejum transcende o sig­nificado de se abster de alimento por de­terminado período de tempo. "O jejum é a oração do corpo."3 É o momento em que o corpo se priva daquilo de que gos­ta e se entrega, sem reserva, à comunhão íntima com o Criador e Salvador.

Essa comunhão se desenvolve na presença de Deus, ouvindo Sua voz por meio da Bíblia e em oração, reagindo ao que Ele fala. Nesse relacionamento diferenciado, podemos notar o verda­deiro sentido do jejum. A palavra profé­tica diz: "O espírito do verdadeiro jejum e oração é o espírito que rende a Deus mente, coração e vontade."4

O jejum pode ser completo ou par­cial. O completo é aquele em que a pes­soa se abstém de todo tipo de alimento por certo período de tempo. No jejum parcial, a pessoa faz uso de frutas fres­cas, sopas, caldos, sucos naturais nos ho­rários normais das refeições. O uso de água deve ser normal em qualquer op­ção de jejum.
O jejum no ministério de Cristo

- Logo depois do batismo e antes de co­meçar Seu ministério, Jesus jejuou qua­renta dias e quarenta noites. "O grande objetivo por que Cristo suportou aque­le longo jejum no deserto, foi ensinar-nos a necessidade da abnegação e da temperança."5

Por meio da abnegação e da tempe­rança, Ele pôs sob controle o apetite e mostrou que não havia desculpa para a queda de Adão e Eva pela simples satis­fação do apetite. Assim, onde eles falha­ram, Cristo venceu e deixou o sublime exemplo de que não há desculpa para nenhum seguidor Seu quebrar o relacio­namento por meio do pecado.

Não foi sem lutas e dificuldades que Ele venceu e subjugou o apetite e suas paixões humanas. Satanás usou as mes­mas armas que levaram nossos pais à queda,6 mas Ele Se firmou no poder da Palavra e disse: "Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que pro­cede da boca de Deus."7

Com essas palavras, Cristo deixa clara a receita para a vitória sobre as confederações satânicas nos momen­tos mais extremos e no cotidiano - co­munhão com Deus por meio do estudo da Bíblia, oração e jejum. Foi assim que Ele viveu e venceu a cada dia.
Sentido amplo do jejum - O capítu­lo 58 de Isaías explica esse conceito am­pliado do jejum. Jejuar é mais do que se abster de alimento; é uma disciplina que aprofunda o compromisso com um esti­lo de vida segundo o modelo de Cristo. Ele viveu como amigo de todas as pes­soas e classes; amava todos e Seu amor ia além de palavras.

"O Salvador misturava-Se com os ho­mens como uma pessoa que lhes dese­java o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: "Segue-Me"" (Jo 21:19).8

Aqui está o modelo de como se deve viver Isaías 58, especialmente os ver­sos 6, 7 e 13. O Espírito de comunhão, compaixão e amor, esse sentimento que acompanha a pessoa enquanto está em jejum, deve acompanhá-la em todos os seus relacionamentos sociais, familia­res, de trabalho e na vida em geral. O jejum só faz sentido quando nos projeta para uma vida de santificação antes, du­rante e depois.

A disciplina do jejum deve ser prat cada tendo em vista nosso preparo diário para o encontro com Cristo. A orien tacão profética para os nossos dias é: "Agora e daqui por diante até ao fim do tempo, deve o povo de Deus ser mais fervoroso, mais desperto, não confiando em sua própria sabedoria, mas na sabe­doria de seu Líder. Devem pôr de parte dias de jejum e oração. Pode não ser re­querida a completa abstinência de ali­mento, mas devem comer moderada­mente, do alimento mais simples."9

A disciplina habitual do jejum aliada ao objetivo do SEE, que visa a desen­volver e consolidar o hábito de buscar a Deus na primeira hora de cada ma­nhã, pode ser uma grande bênção tanto para o corpo como para a alma. Ellen G. White diz: "É impossível avaliar os bons resultados de uma hora ou mesmo de meia hora diária dedicada à Palavra de Deus"10 e à oração. Outro conselho opor­tuno: "Jejuar um dia por semana lhes proporcionaria incalculável benefício."11

Podemos afirmar com segurança que o caminho para o preparo diário para o encontro com Cristo a qualquer mo­mento passa pela comunhão e o jejum de forma habitual.

Referências
1. Colin Brown, Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (Vida Nova: São Paulo, 1982).
2. Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 172,173.
3. Madeline S. Johnston, "Jejum com equilíbrio", Ministério, maio/junho de 1995.
4. Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 189.
5._, Conselhos Sobre Saúde, p. 125.
6._, No Deserto da Tentação, p. 52.
7. Mateus 4:4.
8. Ellen G.White, Benejicência Social, p. 60.
9._, Euentos Finais, p. 82.
10._, Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 42.
11._, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 189.
 
 
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