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    terça-feira, 4 de agosto de 2015

    Desvendando o Apocalipse 13 - As Duas Bestas - Parte 1

    Apocalipse 13 é um capítulo extenso e repleto de nomes e figuras simbólicas. São muitos detalhes e dados históricos, por isso este estudo será dividido em duas partes. Neste primeiro, vamos tratar até o versículo 11, e no posterior até o fim do capítulo. A palavra “besta” é muito utilizada neste capítulo e para não dar margem a especulações, sua identidade está revelada em Daniel 7:17. Besta significa um poder dominante – civil ou eclesiástico. Todos os detalhes, como veremos, enquadram-se perfeitamente na história de dois poderes.
     
    Apocalipse 12:18: “E o dragão parou sobre a areia do mar.”


    É ali que a terra e o mar se encontram. Este capítulo descreve duas bestas, uma que vem do mar e outra que vem da terra.
     
    Apocalipse 13:1: “Eu vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.”
     


    Apocalipse 13:2: “A besta que vi era semelhante ao leopardo e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão. O dragão deu-lhe o seu poder, o seu trono e grande autoridade.”


    Em profecia, as águas do mar simbolizam “povos e multidões” (Ap 17:15) e besta, como já dissemos, é símbolo de poder dominante – civil ou eclesiástico (Dn 7:17). O profeta viu levantar-se dentre as nações um poder que sobre elas exerceria o seu domínio. E tudo, em cada detalhe desta revelação, demonstra que essa besta não é um poder civil e sim eclesiástico. Certos pormenores não deixam dúvida de que se trata de Roma papal, como sucessora de Roma pagã.

    Leopardo, urso e leão são imagens que já vimos em Daniel 7, quando o profeta descreveu a história política do mundo, ainda por vir. Primeiro o leão (Babilônia), depois o urso (Pérsia), a seguir o leopardo (Grécia) e finalmente a besta de dez chifres (Roma). Todas essas características estão incorporadas nesta besta de Apocalipse 13, demonstrando que a Roma papal possuía características do paganismo dos três reinos anteriores que a precederam. Nesses reinos, o paganismo era a religião oficial.

    Os quatro reinos - Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma –, no conjunto, possuíam sete cabeças e dez chifres (o leopardo possuía quatro cabeças, cada um dos outros três animais possuíam uma cabeça, e a quarta besta apresentava dez chifres). Ver Daniel 7. Entre os dez chifres da quarta besta (Roma) surgiu um décimo primeiro elemento, o qual a princípio era um “chifre pequeno”, mas que veio a tornar-se um poder perseguidor poderoso e blasfemo.

    O dragão dá à besta o seu poder – “A vinda desse iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira” (2Ts 2:9).

    Aqui ocorre a transferência do poder do dragão de Roma pagã para a Roma papal. O dragão – o diabo e Satanás (Ap 12:9) – sempre opera por meio de reinos e instituições terrestres. O antigo Egito, por exemplo, foi comparado ao dragão (Ez 29:3). Quer dizer que o poder humano utilizado pelo dragão continuou o mesmo – o Império Romano – havendo tão somente sofrido uma metamorfose do paganismo declarado para o paganismo cristianizado.

    Roma papal foi empossada pelo dragão no trono de Roma pagã, na sede do Império Romano, na cidade de Roma. Isso prova ter o dragão dado à besta o seu trono, ou o espaço físico de seu domínio; seu poder representado nas sete cabeças romanas e seu grande poderio ou domínio representado nos dez chifres, ou a Europa.

    Realmente Constantino deu o seu trono para o papa. O trono dos césares foi deixado vago. Foi nessa vaga que o papado se assentou. Aqui estão as palavras de um escritor católico: “E piedosamente subindo ao trono de César, o vicário de Cristo tomou o cetro diante do qual imperadores e reis da Europa se curvariam em reverência por muitas eras” (American Catholic Quarterly Review, abril de 1911).

    Outros imperadores também outorgaram poder ao papado. Passo a passo, o Império Romano (o grande dragão vermelho) deu grande autoridade à igreja (a besta com corpo de leopardo), com o clímax ocorrendo em 538, quando os exércitos do império expulsaram os ostrogodos de Roma, o que iniciou o período de 1.260 anos.

    Desse modo, o símbolo da besta representa o papado, que sucedeu o poder, trono e poderio mantidos pelo antigo Império Romano.
     
    Apocalipse 13:3: “Então vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas a sua chaga mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta,”
     


    Apocalipse 13:4: “e adoraram o dragão que deu à besta a sua autoridade, e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?”


    A cabeça que foi ferida de morte era a cabeça do papado. Em 1798, durante a Revolução Francesa, sob ordens de Napoleão, o papa Pio VI foi preso pelo general Alexander Berthier. Em 1929, Benito Mussolini assinou um tratado devolvendo as terras ao Estado do Vaticano. Conforme a profecia, estava restaurado o poder temporal do papado. A ferida mortal de 1798 já estava cicatrizada.

    Embora restaurado ao poder temporal em 1929, o papado jamais se conformou com apenas 44 hectares que compreendem o Estado do Vaticano. Mas nem mesmo com a Europa inteira, seu antigo domínio, se conforma o papado. As pretensões vão muito além. Reza a profecia que o papado almeja o domínio de “toda a Terra”, a totalidade do globo, todas as nações.

    Sentado no trono de um Estado, o menor do mundo, é o papa um soberano mundial cujos súditos espirituais se encontram em todas as nações da Terra. Assim, já podemos dizer, em parte, que “toda a terra se maravilhou seguindo a besta”. Tempo virá, porém, em que a profecia se cumprirá em toda a sua plenitude, e o poder temporal do papado será exercido em toda a Europa, como fora exercido no passado, e estender-se-á aos países católicos da América e de outros continentes.

    Não podendo receber Satanás uma adoração direta do mundo, recebe-a indiretamente por intermédio da besta. Satanás não poderia ter empregado idéia mais enganadora do que esta de receber homenagens de adoração do mundo através de um poder denominado cristão. Este é o perigo da adoração da besta “semelhante ao leopardo”.

    Adorar um poder que recebeu autoridade do dragão significa cometer grave pecado contra Deus e o Céu. No entanto, o papado, na pessoa de seus pontífices, não só pretende adoração como a tem recebido de milhões de adeptos grandes e pequenos. Todo mundo sabe que o papado e também seu clero em toda a Terra exigem e recebem a adoração que só a Deus e a Seu Filho Jesus Cristo pertencem de direito.

    De outro lado, multidões adoram Roma papal, obedecendo a suas leis e dogmas. A um decreto seu, os expedientes governamentais, em toda a Terra, fecham suas portas, como também o comércio e a indústria detêm suas transações. As instituições de ensino, mesmo as protestantes, cerram suas portas. Sim, respeitando seus dias santificados, a Terra, em grande parte, está homenageando e curvando-se aos pés da besta.

    “Quem é semelhante à besta?” Este é o desafio dos adoradores da besta. Jamais existiu outro poder comparável ao do papado, nem o dos soberanos das nações. O poder do papado é tão maior do que o das nações que exerce sua influência sobre elas. Os súditos do Vaticano são os próprios súditos das nações do mundo. Centenas de milhões de habitantes da Terra são mais fiéis a Roma do que às suas próprias nações. Por isso os seus adoradores orgulham-se em dizer: “Quem é semelhante à besta?”

    “Quem poderá batalhar contra ela?” Esta pergunta é um desafio dos adoradores da besta a seus adversários. Nenhum poder terreno destruirá jamais o poder papal. Esse poder não cairá jamais pelo braço do homem. Porém, sua queda irreversível é apenas uma questão de tempo. Sua derrocada virá de cima, inesperada e segura. Deus logo ajustará contas com o poder que usurpou o Seu nome. O mundo vai se ver livre da intolerância do poder da besta “semelhante ao leopardo”.

    O papado e a democracia – O papado não é uma democracia nem mesmo no seu Estado. Numa democracia, o soberano é eleito pelo povo de seu Estado para se tornar governante. Não se dá isso com o soberano do Vaticano. O papa, em seu Estado, não é eleito pelo povo católico. Este não comparece às urnas para elevá-lo ao trono. Nenhum católico do mundo, exceto os cardeais, elege o seu pontífice. O que o papa estabelece é executado. Ele domina suas consciências. E quando o futuro restaurar completamente o seu domínio temporal, e ainda muito mais ampliado, veremos coisas e leis espantosas demandarem a Terra procedentes do trono de Roma.
     
    Apocalipse 13:5: “Foi-lhe dada uma boca para proferir arrogâncias e blasfêmias, e deu-se-lhe autoridade para continuar por quarenta e dois meses.”
     


    Apocalipse 13:6: “E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do Seu nome, e do Seu tabernáculo e dos que habitam no céu.”


    Se as palavras arrogantes da besta atingissem apenas os seus iguais na Terra e os seres celestiais comuns, isto ainda não seria tão grave. Porém, suas mais ofensivas palavras são dirigidas “contra Deus, para blasfemar do Seu nome, e do Seu tabernáculo”.

    Os 42 meses proféticos da dominação temporal do papado equivalem a 1.260 anos (42x30=1.260), que foram contados da derrota dos ostrogodos em Roma (538), até a ferida mortal da Revolução Francesa (1798). Vemos assim que no ano 538 o catolicismo foi estabelecido por Justiniano como religião oficial do Estado, sendo proibidas todas as outras religiões. O bispo de Roma foi declarado o cabeça de todas as igrejas. O paganismo cedeu lugar ao papado. O dragão deu à besta “o seu poder, o seu trono e a sua autoridade”. E começaram então os 1.260 anos da opressão papal.

    Na verdade, uma blasfêmia só pode mesmo ser dirigida contra Deus. Em primeiro lugar, diz a profecia que a besta profere blasfêmias contra o nome de Deus. E quando é que um ser mortal blasfema do nome de Deus? Nos evangelhos encontramos uma indicação muita clara do que seja blasfemar contra o nome de Deus. Num dos debates entre Cristo e os judeus, estes Lhe responderam: “Não Te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo Tu homem, Te fazes Deus a Ti mesmo” (Jo 10:30-33). A acusação dos judeus contra Jesus era falsa porque Ele realmente era e é Deus. Mas, quando um homem se intitula Deus e assume as prerrogativas de Deus e os títulos relativos à divindade, isso constitui verdadeiramente uma blasfêmia.

    Há no direito canônico papal uma proposição que estabelece: “O papa romano não ocupa o lugar de um mero homem, senão o do verdadeiro Deus neste mundo. ... O papa tem tão grande autoridade e poder que pode mesmo modificar, explicar ou interpretar as leis divinas.”

    Quando a igreja de Roma se arroga perdoar pecados de vivos e mortos, em desacordo com o ritual do templo celestial onde os pecados são perdoados somente pelo Filho de Deus, isso também é blasfêmia. Essa atitude desmantela a obra mediadora de Jesus no santuário e significa blasfemar “do Seu tabernáculo”.
     
    Apocalipse 13:7: “Também foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los. E deu-se-lhe poder sobre toda tribo, língua e nação.”


    Aos que o papado perseguiu taxando-os de hereges, a profecia de Deus chama-os de santos. Logo que se iniciaram os 1.260 anos de supremacia temporal do despotismo papal, os cristãos foram obrigados a optar entre renunciar a sua integridade e aceitar as cerimônias e cultos estabelecidos pelo papa, ou passar a vida nas masmorras, sofrer a morte pelos instrumentos de tortura ou pela fogueira.

    Desencadeou-se a perseguição sobre o povo de Deus com maior fúria e o mundo se tornou um campo de batalha. Durante séculos a igreja de Cristo encontrou refúgio no isolamento e obscuridade. Diz a profecia: “A mulher [igreja] fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada por mil duzentos e sessenta dias” (Ap 12:6).

    Os governos europeus, os quais se aliaram ao papado e estiverem sob seus pés por 1.260 anos, consentiram e ajudaram-no a massacrar os seus povos em favor de Roma.
     
    Apocalipse 13:8: “E todos os que habitam sobre a terra a adorarão, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”
     


    Apocalipse 13:9: “Se alguém tem ouvidos, ouça.”
     


    Apocalipse 13:10: “Se alguém deve ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém deve ser morto à espada, necessário é que à espada seja morto. Nisto repousa a perseverança e a fidelidade dos santos.”
     

    Em outras palavras, quem ainda tem consciência, ouça a advertência e abandone Roma e ponha-se sem temor ao lado da verdade divina.

    Quando o papa foi levado prisioneiro por Berthier, essas palavras foram cumpridas. O papado tinha feito milhões de cativos e aprisionados, e agora ele mesmo estava indo para o cativeiro. No futuro, outra espada predita cairá sobre o mesmo poder opressor, então para eliminá-lo para sempre do mundo.
     
    Apocalipse 13:11: “Então vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como dragão.”


    A primeira besta, o papado, surgiu do mar, ou seja, de uma região onde havia muitas nações e povos. Portanto, a segunda besta que subiu “da terra” e não do mar, surgiu de um território desocupado e deserto. Uma região da Terra onde ainda não havia povos e nações.

    Que poder surgiu de forma pacífica (longe de povos e nações) ao tempo em que o papado recebeu o golpe mortal dos revolucionários franceses em 1798? A Europa, Ásia e África não só eram continentes habitados como sacudidos por guerras, não preenchendo os requisitos de territórios desertos e pacíficos de onde deveria surgir a segunda besta desta profecia. Na continuação do estudo deste capítulo vamos descobrir quem é este poder.

    (Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

    (Fonte: www.criacionismo.com.br)
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