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    terça-feira, 4 de agosto de 2015

    Desvendando o Apocalipse - Capítulo 2 - Parte 2

    A Igreja de Pérgamo
    Pérgamo era uma cidade universitária, famosa pelos seus mestres na arte de curar. Tinha uma biblioteca com 200 mil rolos. Esses rolos eram feitos de pelica, uma forma refinada de couro. Pérgamo é uma modificação da palavra "pelica". O rei de Pérgamo recebia o título de “Pontífice Máximo”, que significa o "edificador da grande ponte".

    Nisto vemos uma semelhança com a torre de Babel, cujo propósito era alcançar o céu por esforços humanos. Quando o rei de Pérgamo entregou seu reino aos romanos, todo esse culto foi transferido para Roma. E o título “Pontífice Máximo” foi absorvido pelo cristianismo romano. Pérgamo tornou-se, assim, um elo entre a antiga Babilônia e a moderna Roma.

    O período relacionado à igreja de Pérgamo foi de 313 d.C a 538 d.C. A palavra Pérgamo significa “exaltação”, “elevação”, porque a própria cidade estava edificada mil pés acima do nível do vale. Esse significado descreve o caráter e a vida espiritual da igreja em seu novo período.
    Apocalipse 2:12: “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes.”


    Jesus Se apresenta à igreja deste período com uma espada de dois gumes. Espada é a “palavra de Deus que penetra até a medula”, diz Paulo, “que interpreta os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12).
    Apocalipse 2:13: “Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás. Contudo, reténs o Meu nome, e não negaste a Minha fé, mesmo nos dias de Antipas, Minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.”


    É a terceira vez que Jesus diz estar a par das obras de Sua igreja. Esta carta é uma veemente denúncia. Jesus sabia que a igreja estava se aliando ao mundanismo, dando início à apostasia. Deste período da igreja de Pérgamo, de 313 a 538, ou de Constantino a Justiniano, em que ela foi considerada Igreja Imperial, disse Jesus que ela habitava no “trono de Satanás”. Jesus lamentava que Sua igreja escolhesse para sede a mesma cidade onde estava o trono de Satanás, a cidade dos Césares – Roma.
    Apocalipse 2:14: “Todavia, tenho algumas coisas contra ti; Tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, levando-os a comer das coisas sacrificadas aos ídolos, e praticar a prostituição.”


    A doutrina de Balaão pode ser resumida como idolatria pagã. Como o paganismo não podia vencer a igreja, então fez amizade com ela. Assim, paulatinamente, as práticas e cerimônias pagãs foram sendo introduzidas aos poucos no cristianismo, para amenizar as perseguições. Dessa forma, o cristianismo passou a freqüentar as cortes e palácios dos imperadores, trocando a simplicidade de Cristo e de Seus apóstolos pela pompa e orgulho dos sacerdotes; em lugar dos mandamentos de Deus, entraram teorias e tradições humanas.

    Assim como fez com Balaão, Satanás corrompeu a igreja por meio de uma aliança com o mundo. Na pessoa de Constantino, a igreja subiu ao trono dos Césares e reinou como uma rainha. Houve uma mútua transigência e tolerância entre o cristianismo e o paganismo. Por causa da influência pagã, o cristianismo mudou tanto que se tornou um "paganismo batizado".
    Apocalipse 2:15: “Assim tens também alguns que seguem a doutrina dos nicolaítas.”


    Apocalipse 2:16: “Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da Minha boca.”


    A igreja foi chamada ao arrependimento, ao abandono das doutrinas de Balaão e dos nicolaítas – a idolatria e a prostituição da verdade.
    Apocalipse 2:17: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.”


    Quando qualquer pessoa entre os gregos era acusada de crimes contra o Estado e era julgada pelos cidadãos, eles votavam por absolvição com uma pedra branca; e por condenação, com uma pedra preta. Cristo, o único juiz do Seu povo, ao prometer dar aos vencedores uma pedra branca, está lhes dando a certeza da absolvição.

    IV – A igreja de Tiatira

    Das sete cartas, esta é a mais longa. A cidade de Tiatira estava localizada numa região estratégica para muitos negócios. Tinha como fonte de renda uma brilhante tintura vermelha, conhecida como púrpura. Pode ser considerada a Igreja da Idade Média. O período relacionado a Tiatira foi de 538 d.C. até 1517 d.C.

    A palavra Tiatira significa “sacrifício”, “dificuldade”, que bem descreve a situação da Igreja em sua quarta etapa. A igreja foi perseguida de morte pelo papado, principalmente no movimento chamado de Inquisição.
    Apocalipse 2:18: “Ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:”


    Cristo Se apresenta à Sua igreja neste período, pela primeira vez e a única em todo o Apocalipse, como “Filho de Deus”, exatamente porque sabia que o lugar do Filho de Deus seria usurpado por aquele que se apresentaria como Seu substituto na Terra. A igreja não deveria trocar de Senhor.
    Apocalipse 2:19: “Conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras”.


    Jesus elogia Seu povo. Foi o período que precedeu à grande obra da Reforma. Reconhecido também por “Igreja do Deserto”, época das grandes perseguições de Roma papal, contra o povo de Deus.

    Nesse tempo adverso, a igreja cristã manifestou fé, paciência e consagração. A história dos Valdenses é uma prova disso. Rejeitando a supremacia dos papas, os Valdenses mantinham a Escritura Sagrada como única autoridade suprema e infalível. Escondidos nas montanhas e em cavernas dedicavam-se a copiar as Escrituras, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Por isso, a Palavra de Deus foi conservada através dos séculos.
    Apocalipse 2:20: “Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com o seu ensino ela engana os Meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos.”


    Na igreja de Pérgamo havia os que seguiam a doutrina de Balaão – idolatria e prostituição. Na igreja de Tiatira é mencionado haver uma mulher ensinando e enganando também com idolatria e prostituição. Mas quem era a Jezabel da época da igreja de Tiatira?

    A mulher é empregada nas profecias como símbolo de igreja. Se a profecia fala que a igreja verdadeira é simbolizada por uma mulher virgem e pura, então aquela mulher que ensina a mentira para enganar só pode representar uma igreja falsa. Conseqüentemente, a Jezabel de Tiatira representa uma falsa igreja que ensina idolatria e prostituição das doutrinas de Cristo.

    A Jezabel do antigo Testamento praticou várias obras detestáveis aos olhos de Deus:

    1. Ela se casou com o rei Acabe e tornou-se rainha de Israel.
    2. Por ser filha de um rei pagão, ela introduziu a idolatria entre o povo de Deus.
    3. Proibiu o verdadeiro culto a Yahweh.
    4. A adoração ao Sol tomou o lugar da adoração a Yahweh.
    5. Trouxe sacerdotes pagãos para Israel.
    6. Perseguiu até a morte os verdadeiros servos de Deus.
    7. Os que se recusavam a deixar de adorar a Deus eram mortos (1 Reis 16-21).

    Diante disso, é de se perguntar: Quem foi a Jezabel (ou a igreja) que nos séculos do período de Tiatira introduziu na igreja cristã a idolatria, que proibiu o verdadeiro culto a Deus, que tinha um grande número de sacerdotes sob suas ordens e que perseguiu os servos de Deus que se opunham à sua autoridade?
    Apocalipse 2:21: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade, mas ela não quer se arrepender.”


    A profecia diz que Deus concedeu um tempo para que essa igreja, a Jezabel, se arrependesse de sua prostituição espiritual, mas ela não se arrependeu. Todo afastamento dos princípios fundamentais de Cristo é prostituição e apostasia.
    Apocalipse 2:22: “Portanto, lançá-la-ei num leito de dores, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.”


    Apocalipse 2:23: “Ferirei de morte a seus filhos. Então todas as igrejas saberão que Eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações, e darei a cada um de vós segundo as vossas obras.”


    Apocalipse 2:24: “Digo-vos, porém, a vós, os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga não porei sobre vós.”


    Todo desvio da doutrina correta é considerado adultério. Como conseqüência, todos os que persistirem voluntariamente com essa igreja na idolatria e prostituição, após receberem o pleno conhecimento da verdade, terão que enfrentar as sete pragas que serão estudadas no capítulo 16.

    Os “filhos” de Jezabel são, evidentemente, os adeptos dessa falsa igreja. Estes, se não se arrependerem a tempo, como assegura a profecia, conhecerão a segunda morte, porque serão julgados e condenados segundo as suas próprias obras e não segundo as obras de Cristo.
    Apocalipse 2:25: “O que tendes, retende-o até que Eu venha.”


    A eterna verdade do evangelho de Cristo foi confiada à Sua igreja neste planeta. Por nada no mundo a igreja pode descuidar desse patrimônio. O desejo de Cristo é que Seus seguidores defendam a verdade a todo custo.
    Apocalipse 2:26: “Ao que vencer, e guardar até o fim as Minhas obras, Eu lhe darei autoridade sobre as nações,”


    Apocalipse 2:27: “e com vara de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os vasos de oleiro; assim como também recebi autoridade de Meu Pai.”


    Apocalipse 2:28: “Também lhe darei a estrela da manhã.”


    A estrela da manhã é Jesus (Ap 22:16). Ele oferece a Si mesmo para ser a nossa companhia.
    Apocalipse 2:29: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”


    Durante a Idade Escura, cada região da Europa esteve sob a inspeção direta da Igreja. Não somente reis em seus tronos, mas até pessoas comuns, em suas próprias casas, se submetiam ao poder de Roma. A Igreja se colocou entre o rei e os súditos, pais e filhos, maridos e mulheres. Os segredos dos corações eram abertos no confessionário. A Igreja ensinou que as pessoas eram salvas pelas boas obras. Penitências e indulgências tiraram o pão de muitas bocas. Um governo forte, com um domínio como jamais foi visto, assentou-se no trono.

    No próximo estudo, vamos conhecer as mensagens às igrejas de Sardes e Filadélfia.

    (Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga)
    (Fonte: www.criacionismo.com.br)
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